Levantamento bibliográfico

E este é um dos pontos que me parecem cruciais nesta “conversa”: notem que não cabe ao orientador fornecer ao orientando todas as referências  necessárias para seu trabalho de dissertação ou tese. O orientador indica algumas referências, direcionando o trabalho do orientando. Mas cabe ao orientando fazer um levantamento bibliográfico. Como fazer isso? A biblioteca da Universidade é obviamente o primeiro passo. Entretanto, é preciso considerar que o que se faz de mais atual em qualquer área do conhecimento é publicado em periódicos especializados. Na nossa área, títulos como, por exemplo, Journal of Phonetics; Journal of the Acoustical Society of America (JASA); Phonetica; Journal of Speech and Hearing Research costumam trazer o que há de mais novo e são periódicos de excelência. Alguns desses periódicos podem ser encontrados no Portal de Periódicos da Capes, em http://www.periodicos.capes.gov.br. O Portal da Capes pode ser acessado de qualquer micro. Em casa, é possível chegar a ele da seguinte forma: ao acessar o site no endereço fornecido, chega-se à página principal do Portal da Capes. Na página principal, é só procurar, no menu superior, a opção "meu espaço". Clicando nessa opção, abre-se uma nova janela onde, à direita, temos acesso à opção "CAFe". Clicando sobre ela, chega-se à página da CAFe - Comunidade Acadêmica Federada. Ali, é só procurar pela opção UFPR e entrar na CAFe com o login que temos para acessar o sistema da UFPR. Ou seja, se é possível conseguir artigos sem sair de casa, não há desculpa para não se fazer um bom levantamento bibliográfico para o trabalho de dissertação ou tese.

Quanto aos periódicos nacionais, podemos recorrer à Revista da Abralin, Revista do Gel, Cadernos de Estudos Linguísticos, Revel, Letras de Hoje e Revista Letras, por exemplo. Há muitos outros periódicos publicados no Brasil, embora nenhum seja específico da área de fonética. Por isso, uma boa estratégia é recorrer ao Google, que é uma excelente ferramenta de buscas, e utilizá-lo para esse fim específico. O Google nos permite, também, acessar a página pessoal de muitos pesquisadores. No exterior, há a prática corrente de os pesquisadores disponibilizarem seus artigos em suas páginas pessoais, que acabam sendo um meio adicional para conseguirmos um artigo.

O Google Scholar é uma ferramenta disponibilizada pelo Google que permite a busca de artigos acadêmicos. Muitas vezes é possível baixar por ali artigos na íntegra.

Um outro canal que pode ser útil é o site Academia.edu, uma espécie de “rede social” acadêmica, em que os autores colocam os textos que vão publicando. É uma ferramenta gratuita, portanto basta apenas criar uma conta nele.

Dois lembretes importantes: 1) as referências bibliográficas de um artigo podem ser fonte importante para conseguirmos indicações de artigos adicionais que possam interessar à nossa pesquisa; 2) uma leitura cuidada, atenta, dos textos nos permite verificar, inclusive, o estilo de escrita acadêmica. Isto é fundamental para conseguirmos adquirir esse estilo de escrita.

Até aqui deve ter ficado claro que: 1) um levantamento bibliográfico é essencial para a realização de um trabalho acadêmico. Na verdade, é o ponto de partida para qualquer trabalho dessa natureza; 2) o avanço tecnológico possibilita que façamos um levantamento bibliográfico sem sair de casa e sem pagar nada, o que era impensável há vinte anos. Portanto, utilizem as ferramentas que vocês têm à mão da melhor maneira possível.

Recolhidos os artigos, passamos ao momento seguinte: não basta lermos os artigos selecionados, é preciso estudá-los. Como fazer isso? Uma boa estratégia é fazer o fichamento dos artigos, resumindo-os. O resumo não precisa ser longo, mas tem de conter os pontos principais do artigo: hipótese; arcabouço teórico seguido pelo(s) auto(es), metodologia; análise de dados; resultados obtidos. Os resumos podem ser armazenados cada um numa pasta no computador. Dessa forma, se for preciso retomar pontos do artigo, o resumo possibilitará acesso ao conteúdo dos artigos de maneira mais rápida, sem que o mestrando ou o doutorando tenha que reler todo o texto. É claro que releituras podem ser necessárias, mas a estratégia sugerida visa a eliminar os procedimentos desnecessários. Além disso, a estratégia tem outro objetivo: levar os mestrandos e doutorandos a compreenderem os textos para que redigir a fundamentação teórica de seu trabalho com maior facilidade,  não se limitando a copiar trechos do original.