Plágio

E por falar em copiar trechos de trabalhos de outros autores, é preciso deixar bem claro, desde já, que a cópia de trechos de trabalho de outrem, sem a atribuição devida da autoria, configura plágio. E plágio é crime.

Fique bem claro, portanto, que eu não aceito que sejam copiados trechos de trabalhos sem que seja atribuída a devida autoria.

Notem: fazer a citação do trecho de um artigo é perfeitamente aceitável e faz parte da prática de escrita acadêmica, porque sinaliza a busca do autor do texto por amparo em fontes já conhecidas.  Assim, por exemplo, se eu estou escrevendo um texto sobre a variabilidade entre a vibrante alveolar e uma fricativa posterior e objetivo explicar o fato relacionando o dado acústico ao dado articulatório, eu posso me amparar numa fonte conhecida e, no meio do meu texto, fazer a seguinte citação: “Acusticamente, como já se disse, tem-se, como resultado da perda do movimento balístico de ponta de língua, concomitante à formação de constrição no trato, o aumento do ruído fricativo sobre o espectro da vibrante. (Silva, 2002: 165, 166)”. Observem que o trecho vem entre aspas e que, ao final dele, eu coloco autor, ano de publicação e página. A referência completa constará da seção de referências, ao final do trabalho.

Porém, eu cometo plágio se eu, em meu texto, simplesmente afirmar: Acusticamente, como já se disse, tem-se, como resultado da perda do movimento balístico de ponta de língua, concomitante à formação de constrição no trato, o aumento do ruído fricativo sobre o espectro da vibrante. Vejam a ausência das aspas e da referência. Ao fazer isto, eu me apropriei de um texto de outra pessoa.

Sempre pode ficar pior, se alguém tenta fazer algo como: “Em termos acústicos, como já foi dito, tem-se, como resultado da perda do movimento balístico de ponta de língua, que ocorre ao mesmo tempo da formação de constrição no trato, o aumento do ruído fricativo sobre o espectro da vibrante.”  Observem que, neste caso, não só inexiste o crédito ao autor do excerto, como quem copiou sabia que estava fazendo algo errado e tentou disfarçar o plágio, acreditando que os leitores não conseguissem perceber as mudanças grosseiras no texto original. Ou seja, quem faz algo assim sabe que está cometendo plágio, porque tenta disfarçá-lo e subestima o leitor com um disfarce grosseiro.

Dados estes exemplos, deve ficar claro que a citação de um excerto e a atribuição de autoria são a coisa certa a fazer. E eu devo avisar que estarei atenta a “deslizes” como estes. Afinal, de nada adianta o argumento “eu não tive a intenção”, se o que se vê, o que se mede, são fatos e não intenções. E o crescente registro de eventos de plágio torna mais do que necessária a atenção para esta questão.

Uma última nota: a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que é o órgão do Governo Federal que regulamenta os cursos de pós-graduação no Brasil tem uma orientação sobre combate ao plágio. O texto oficial pode ser acessado em https://www.capes.gov.br/images/stories/download/diversos/OrientacoesCapes_CombateAoPlagio.pdf